Autêntico Décor

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Autêntico décor

Ambientado com peças de época e modernas,
o projeto de René Fernandes Filho é uma aula de história do design

2_apartamento 1 (13)

1_apartamento 1 (19)

Em jacarandá, cadeiras
de palhinha, modelo MF5,
da famosa marca de
design Branco & Preto
dos anos de 1950, revisitadas
com os motivos geométricos
do tecido vintage (Larmod).
Sobre as peças, pinturas
de Noemia Mourão.
Ao lado, uma autêntica
Thonet, austríaca,
em madeira mutamba
que recebeu assento
almofadado em seda (Safira).

3_apartamento 1 (1)Com o living integrado, o espaço ficou apropriado para valorizar os móveis herdados. Compondo com as poltronas MF5, um par de Jorge Zalszupin que foi estofado com algodão texturizado (Larmod). Repare no contraste das luminárias: no estar, o plafon com tecido, modelo lentilha (La Lampe); no jantar, lampadário em prata.

 

O projeto mesclou peças do
século XIX e design moderno
brasileiro em um contexto atual

 

Tataraneta do Conde de Pinhal, a proprietária deste apartamento construído nos anos de 1980, de 80 m2, no Morumbi, além de trabalhar com antiquariato, herdou de seu bisavô móveis e peças que serviam à fazenda da família, no interior de São Paulo. Em seu acervo, móveis da marca Branco & Preto, da década de 1950 – produto da união dos então jovens arquitetos Jacob Ruchti, Miguel Forte, Plínio Croce, Roberto Aflalo e Carlos Millan, empenhados em contestar a ordem mundial do pós-guerra com suas criações inspiradas nas obras de grandes designers daqueles tempos, como o americano Paul McCobb. Havia ainda peças austríacas, como as cadeiras Thonet, cujos primeiros modelos nasceram em 1959; acessórios ingleses; um lampadário do século XIX, entre outras preciosidades.

4_apartamento 1 (12)

 

No detalhe, o arranjo
entre as poltronas MF5
com os pufes que receberam
o mesmo tecido e servem
de mesas de centro.
Ao fundo, banco em lambri
e palha também herdado.

5_apartamento 1 (2)Para racionalizar o espaço, a marcenaria se fez presente no móvel sob medida e na porta de correr, que é passagem para a área íntima, ambas em madeira patinada, executadas pela Tora Tora, com detalhes em palha da Nani Chinellato. Ao fundo, o sofá cult, modelo Babalaô (Forma), recebeu couro (La Novitá). Sobre ele, foto de Claudio Edinger e pintura de Sérgio Telles. Ao lado, jogo de mesinhas componíveis, garimpado em antiquário.

 

Chegado o momento de atualizar seu imóvel, a ideia de utilizar sua coleção de raridades parecia óbvia, mas também desafiadora: como evitar o excesso? A resposta quem deu foi o arquiteto René Fernandes Filho. “Tínhamos receio de misturar as peças e um estilo ofuscar o outro, ou, pior: o design ficar carregado ou sóbrio demais”, conta René, enfatizando seu desafio neste projeto. O segredo da medida certa ele encontrou no equilíbrio: “além do bom senso, utilizei revestimentos claros e muita madeira, mais neutra, que deram leveza”, explica. No social, a distribuição do mobiliário, que privilegiou a circulação, criou dois espaços – a área de estar e a sala de jantar – mesclados, mas independentes. Somando-se aos antigos, também integram o projeto móveis sob medida, como uma grande estante, cujos acabamentos foram condicionados à estética dos outros móveis, com a função de unir espaços e organizar.

10_apartamento 1 (8)Com a reformulação do social, criou-se um ambiente integrado com uma confortável área de estar, complementada em ocasiões especiais pelo assento acomodado ao lado do aparador do século XIX, herdado do bisavô.

 

Com espaço reduzido, foi preciso aproveitar cada metro da moradia. Antes de planejar a disposição das peças, o arquiteto atualizou o layout dos espaços, integrando ambientes, especificando novos usos. Assim, as paredes que dividiam o living de um dos quartos foram postas abaixo, para ampliar o social. O quarto de serviço, extinto, agora é o closet da moradora. Além disso, de um banheiro fez-se um lavabo, eliminando-se o box do chuveiro. Exceto os da cozinha e os da varanda, mantidos em ardósia e cerâmica, respectivamente, todos os acabamentos foram trocados. No piso, assoalho de cumaru (Pau Pau) e no jantar, espelho, para sensação de amplitude. Contente com o resultado, René, fã de mobiliário de época e de clássicos do design, garante: “nada como rememorar o que tivemos de melhor no ápice de nosso desenho mobiliário (anos de 1950, em sua opinião)”.

 

René Fernandes Filho, arquiteto

René Fernandes Filho, arquiteto

“Combinei móveis do século XIX e peças anos 1950 e 1960 com leveza”

(matéria publicada na Revista Decorar 80, em Dezembro de 2013)