As mil facetas de João Mansur

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As mil facetas de
João Mansur

Ao longo dos 33 anos de profissão, o arquiteto apurou
seu design adequando-o aos novos tempos com maestria.

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Amante da arte e do antiquariato, João Mansur realiza misturas
equilibradas criando espaços atuais e personalizados, mas
sempre dramáticos, como este pied-a-terre nos Jardins para
um cliente cosmopolita e jovem.

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A estrela do living é o chesterfield, dos anos de 1970, que compõe com a bergère, ambos em couro. Na parede,
cabeça entalhada de Oryx da década de 1940, fotos de Drica Lobo e Júlio Tavares, e desenho de Malu Saddi.
Sobre o kilim antigo, a peça francesa Carneiro, dos anos de 1960, é de Claude Lalanne.

 

Com uma boa reforma, o imóvel dos anos de 1970
foi atualizado e personalizado com design e arte

A trajetória do arquiteto carioca João Mansur, sempre foi marcada por grandes mudanças,  afinal, seu sobrenome significa vitorioso. A mais recente é o desafio de abrir espaço na agenda, repleta de compromissos entre a capital paulista, Rio de Janeiro, Miami, Nova York e Lisboa (onde se localizam seus projetos) para uma nova atividade: a curadoria da loja Sentido Cosmopolita – um espaço com conceito home life style, em Pinheiros, cuja arquitetura é de sua autoria.
Acompanhando as mudanças e o perfil dos novos clientes, seu design amadureceu e evoluiu. Reconhecido durante muito tempo por projetos predominantemente clássicos, em novos tempos, ele aproxima-se mais da vanguarda, valorizando o purismo geométrico, o uso das cores, a dramaticidade da iluminação e, como sempre, a arte e o antiquariato, como neste pied-a-terre apresentado para esta edição.
Original dos anos de 1970, o apartamento de 250 m2, situado em um edifício de arquitetura moderna, privilegiado por grandes janelas, teve reforma idealizada para a estadia de um empresário de 32 anos com base fora de São Paulo e seus eventuais hóspedes na cidade. Informado, cidadão do mundo e colecionador de arte, o proprietário solicitou espaços integrados, pois quando está na cidade, recebe com frequência, exigindo bastante circulação. O layout original era compartimentado em living, jardim de inverno, sala de jantar, três quartos, sendo uma suíte, cozinha, área de serviço e dependências de empregados. “A necessidade foi de reformular os espaços, tornando-os mais amplos e iluminados e atualizando suas funções”, diz Mansur. Como não havia material de referência para guiar a reforma, os espaços foram resolvidos no local junto à empresa de engenharia. O living e o jardim de inverno foram incorporados transformando-se em um único e confortável ambiente. O quarto frontal limite com o living foi aberto, sendo transformado em biblioteca e home office. Simetricamente, a abertura para a sala de jantar foi feita na mesma dimensão do espaço oposto! Todos os três espaços se voltam para uma vista panorâmica e bem urbana.
“Como o cliente está praticamente circulando pelas grandes metrópoles, eu quis dar um ar sofisticado, cosmopolita, quase cenográfico!”, conta. A iluminação pontual foi muito estudada para valorizar o importante acervo de obras de arte, antiquariato e peças vintage que cada vez aumenta mais. Spots duplos e triplos orientáveis facilitam este constante acúmulo de peças. O resultado é um apartamento contemporâneo e cheio de personalidade!

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Ao fundo, no outro canto de estar do living, a parede recebeu o desenho e a obra O Espelho Mágico com esfera de ouro, ambos do artista Gustavo von Ha. Em primeiro plano, sobre a mesa de madeira, o vaso de Murano, da década de 1960.

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Composição de design atual com clássico: poltronas em couro Le Corbusier, armário em laminado plástico com detalhes em latão polido, desenho Terry Della Stuffa, da década de 1970 e a cadeira Louis Ghost, de Philippe Starck em policarbonato.

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Canto da lareira a eletricidade, instalada na reforma, e o vão que dá para a biblioteca/home office. À esquerda, a foto da série Gasoline, de Gustavo von Ha, e tela Sexual Outlaw, de Dean Sameshima.

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Com parede parcialmente espelhada, a sala de jantar tem dupla função: serve como um ateliê do proprietário que também gosta de exercitar a criatividade. A mesa em madeira de demolição faz jogo com cadeiras da Cassina e um set de poltronas de cinema da metade do século XX. Na parede, grande foto assinada por Flavia Junqueira. A iluminação foi realizada com spots teatrais.

 

Madeira e couro levam conforto à
suíte com design em tons sóbrios
e masculinos e iluminação indireta

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Em quadriculados de madeira, a boiserie aplicada na parede e na cabeceira ficou
contemporânea e personalizou o desenho da suíte master.
A poltrona de couro cria um aconchegante canto de leitura.
Na parede, quadros assinados por Andy Warhol, Louise Bourgeois, e foto de Luís Tripolli.

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“Para o arquiteto, o cliente ideal é aquele que
dá liberdade e acredita no resultado final”

Naturalidade: Rio de Janeiro, RJ
Graduação: arquitetura e urbanismo, na Universidade Santa Ursula, RJ (1975)
Tempo de atuação: 30 anos
Áreas de atuação: arquitetura e design de interiores, residencial e comercial
Mostras que participou: Casa Cor, Artefacto, Beach & Country, Luxaflex
Estilo que adota: contemporâneo com base clássica, caracterizado por simetria, proporção, equilíbrio e qualidade
Atividades paralelas: consultor de arte
Localização dos projetos: São Paulo, Rio de Janeiro, Miami, Nova York e Lisboa.
Morar bem é: fundamental
Bom design é: atemporal

 

 

 

 

 

(matéria de capa, publicada na Revista Decorar 80, em Dezembro de 2013)

FOTOS Victor Affaro e Salvador Cordaro