Victor Megido discorre sobre a beleza do design em perspectiva de contemplação

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A beleza e o ócio criativo

 

 

 

A criatividade é como uma fonte de imaginação pertencente a todos os seres humanos vivos. Desconheço pessoas saudáveis vetadas ao mundo das ideias e da fantasia. Mas me pergunto, viajando por Roma, Florença, Milão e Veneza, onde o IED tem escolas, como pôde esse ecossistema peninsular tão pequeno ser tão altamente criativo e propulsionador de ideias?

 

Muitos livros já explicaram o fenômeno dos Medici, dos Papas, dos Doges e assim por diante. Talvez o denominador comum desses italianos desbravadores é terem preservado a filosofia que chamavam de “dolce far niente”. Eis a fonte da grande beleza!

 

Domenico De Masi explica que o ócio criativo une à fantasia das ideias livres a concretude “pé no chão” das realizações. De nada teria adiantado a Michelangelo projetar para o Papa a cúpula de São Pedro se não a tivesse também realizado. Para tal, serviu-se de planejamento, meios financeiros, agentes externos estressantes, trabalho em equipe, dinâmica de grupo, motivação, participação de pessoas com capacidades técnicas diferentes e complementares. Foi fundamental a interdisciplinaridade, perspectivas diferentes, porém provocativas, de uma forma útil ao escopo do projeto. A grandeza italiana foi saber unir ao “doce nada fazer” uma boa dose de pragmatismo. Assim nasce o design.

 

Coluna Victor Megido_foto IED Sa¦âo Paulo

 

Tal conceito de ócio criativo foi o grande diferencial do design italiano no mundo, um jeito revolucionário e extraordinário de fazer projeto, unindo à funcionalidade também pensamento e beleza. A beleza é a alma do ócio criativo. Não basta produzir. Se um projeto é feio e sem alma, ele perde o sentido.

 

Design é projeto. Prada, Gucci, Bulgari, Bottega Veneta, Ferragamo, Tods, Fendi, Furla, Ferrari, Valentino, Damiani, Dolce&Gabbana, Armani, Zegna, Versace, Diesel, Benetton, Venchi e todo o food design, Cantina Antinori e todos os vinhos, o IED na área educacional, e assim “la nave va”. Isto tudo é a consequência de um ecossistema rico em beleza e bom gosto. Para comprovar, bastam cem passos em qualquer aeroporto do mundo ou um passeio pelos shopping centers de luxo de qualquer cidade cosmopolita. Em poucos metros, muito design italiano. Italiano e multinacional.

 

E, para que o ócio criativo nos ajude a impulsionar ideias e iniciativas, é fundamental que os projetos de espaços passem a incorporar essa perspectiva menos utilitarista, assumindo de vez que a beleza alimenta, sim, a alma. É um ajuste ao obsoleto conceito de “negócio”, que nega o ócio, visto como perda de tempo, para ressignificar o “dolce far niente”, dando-lhe propósito. A grande lição do design italiano revelou ao mundo a grande beleza e a empresta, a ensina, a fomenta.

 

 

 

Victor-1

 

Victor Megido é Diretor Geral do IED Brasil
e organizador do livro “A Revolução do Design
– conexões para o século XXI” (Editora Gente).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Victor Megido
Imagens Divulgação
Matéria Publicada em Revista Decorar 128.

 

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